Informações do próximo encontro de nosso grupo de leitura:
Dia: 12/06
Horário: 14h30min
Local: Sala do GEPE - Depto. de Ciências Sociais da UFC.
Texto:
MORAIS, Diego Batista de. O jogo na arquibancada: o Setor Alvinegro e as performances do torcer no contexto do futebol espetacularizado. Dissertação (Mestrado em sociologia). UFC, 2015.
Disponível online, clique aqui.
Grupo de pesquisa interdisciplinar sobre esporte e sociedade. www.see.ufc.br
terça-feira, 9 de junho de 2015
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Disciplina "Sociologia do Esporte": seminários
Olá,
Divulgamos os seminários da disciplina Sociologia do Esporte, ministrada pelo prof. Domingos Abreu no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará. Todos os interessados em participar das discussões são bem vindos!
As aulas acontecem a partir das 8h20min na Sala 01 do Depto. de Ciências Sociais da UFC. Av. da Universidade nº 2995, Bairro Benfica.
Dia 05/06
Corpos, bicicletas e automóveis: outros esportes na transição dos séculos XIX e XX, de Victor Andrade de Melo;
No caminho do esporte: a saga da capoeira no século XX, de Carlos Eugênio Líbano Soares e Frederico José De Abreu;
Dia 10/06
Imagens da mulher no esporte, de Silvana Vilodre Goellner;
Os anos 1980, a juventude e os esportes radicais, de Rafael Fortes;
Dia 12/06
Globalização e espetáculo: o Brasil dos megaeventos esportivos, de Gilmar Mascarenhas de Jesus.
Até lá!
terça-feira, 12 de maio de 2015
Semana de História da UFC 2015
A Semana de História da UFC 2015 acontecerá entre os dias 18 e 22 de maio!
Dentre as várias atividades da programação, haverá o GT Práticas de desporto e lazer como espaços de análise histórica.
O prazo para envio de resumos é até sábado, dia 16/05. O GT contempla tanto trabalhos de graduação quanto de pós. Mais informações no site oficial do evento: http://semanahistoria2015.wix.com/seca#!gts/cq6f
terça-feira, 28 de abril de 2015
Defesa de dissertação
Convidamos aos colegas para participarem da defesa de dissertação de Diego Batista de Morais.
Dia: 07 de maio (quinta)
Horário: 17h
Local: Sala de Vídeo do Depto. de Ciências Sociais - Universidade Federal do Ceará
Título: "O jogo na arquibancada: o Setor Alvinegro e as performances do torcer no contexto do futebol espetacularizado".
Até lá!
terça-feira, 7 de abril de 2015
REA ABANNE 2015: Prazos prorrogados
Olá! O envio de resumos de trabalhos para a V REA / XIV ABANNE foi prorrogado até o dia 12 de abril!
Pesquisadores interessados na temática dos esportes têm três atividades disponíveis, duas delas de iniciativa da SEE:
- o Grupo de Trabalho "Antropologia do Esporte". Coordenado pelos professores Radamés Rogério e Domingos Abreu, líderes da SEE, é destinado a comunicações orais de pós-graduandos e pós-graduados;
- a Comunicação Coordenada "Esporte e Ciências Sociais: abordagens
interdisciplinares de estudo". Coordenada pelos membros da SEE Artur Alves e Caio Pinheiro, é destinada a comunicações orais para
graduandos e graduados.
- o Grupo de Trabalho "Esportes e Ciências Sociais: reflexões teórico-metodológicas no interstício entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil". Coordenado pelo professor Leonardo Pacheco (UNIFAL).
- o Grupo de Trabalho "Esportes e Ciências Sociais: reflexões teórico-metodológicas no interstício entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil". Coordenado pelo professor Leonardo Pacheco (UNIFAL).
Maiores detalhes sobre inscrições podem ser lidos no site oficial do evento: www.reaabanne.com.br. Conheçam também a fanpage: www.facebook.com/reaabanne2015
quinta-feira, 5 de março de 2015
V REA / XIV ABANNE - Grupos de Trabalho e Comunicações Coordenadas na área de Esportes
A V Reunião Equatorial de Antropologia / XIV Reunião de Antropólogos
do Norte e Nordeste acontecerá entre os dias 19 e 22 de julho de 2015
em Maceió-AL. Haverão três atividades relacionadas ao tema Esportes, duas delas de iniciativa da SEE:
- o Grupo de Trabalho "Antropologia do Esporte". Coordenado pelos professores Radamés Rogério e Domingos Abreu, líderes da SEE, é destinado a comunicações orais de mestrandos, mestres, doutorandos e doutores;
- a Comunicação Coordenada "Esporte e Ciências Sociais: abordagens
interdisciplinares de estudo". Coordenada pelos membros da SEE Artur Alves e Caio Pinheiro, é destinada a comunicações orais para
graduandos e graduados.
- o Grupo de Trabalho "Esportes e Ciências Sociais: reflexões teórico-metodológicas no interstício entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil". Coordenado pelo professor Leonardo Pacheco (UNIFAL).
- o Grupo de Trabalho "Esportes e Ciências Sociais: reflexões teórico-metodológicas no interstício entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil". Coordenado pelo professor Leonardo Pacheco (UNIFAL).
Maiores detalhes sobre inscrições podem ser lidos no site oficial do evento: www.reaabanne.com.br. Conheçam também a fanpage: www.facebook.com/reaabanne2015
domingo, 1 de março de 2015
Cine-debate: Dogtown and Z-Boyz
O próximo encontro do nosso grupo de leitura será um cine-debate.
Documentário: Dogtown and Z-Boyz
Local: Sala de Audiovisual do Departamento de Ciências Sociais - UFC
Dia: 06 de março (sexta), às 14h30min
Sinopse: A história do grupo de jovens que fundou as bases do esporte skate. Adolescentes de uma área da Califórnia conhecida como Dogtown, eles formavam a equipe conhecida como Z-Boys. De manhã praticavam o surfe e à tarde treinavam na prancha sobre rodas, criando um estilo próprio que posteriormente seria muito copiado. O filme reúne os membros originais do grupo 25 anos depois. Eles relembram a gênese de um esporte que se tornaria febre entre os jovens de todo o mundo. (adorocinema.com). Direção: Stacy Peralta. Nacionalidade: EUA. Duração: 91min. Ano: 2002
LEITURA SUGERIDA:
BRANDÃO, Leonardo. História e esporte: leituras do corpo no filme “Dogtown and z-boys”. Revista História em Reflexão: Vol. 3 n. 5 – UFGD - Dourados jan/jun 2009.
Texto disponível online: clique aqui.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Futebol nordestino em discurso na TV Esporte Interativo Nordeste
Futebol
nordestino em discurso na TV Esporte Interativo Nordeste
Artur
Alves de Vasconcelos*
Domingos
Sávio Abreu**
Destaque da página inicial do site da TV Esporte Interativo Nordeste.
Acessada em fevereiro de 2015
Os
canais Esporte Interativo são um grupo de comunicação especializado em esportes
composto por duas emissoras de TV por assinatura (Esporte Interativo e Esporte
Interativo Nordeste) e um serviço de transmissão online chamado EI Plus. Dentre
vários outros torneios nacionais e internacionais, eles transmitem com
exclusividade a Copa do Nordeste de Futebol desde 2010. Além disso, no ano de
2014 o EI[1] passou a transmitir alguns
campeonatos estaduais de futebol daquela região. O interesse do EI no futebol
nordestino torna-se explícito com o advento, no final de 2013, da TV Esporte
Interativo Nordeste (EI-NE), dedicada à transmissão de competições esportivas
sediadas em terras nordestinas, com ênfase especial ao futebol.
O EI,
ao criar os materiais de divulgação desses torneios, produz discursos que falam
tanto sobre a “identidade” do Nordeste quanto a respeito das características do
futebol praticado na região. Nosso desejo nesse artigo é refletir sobre a
identidade futebolística do Nordeste que são (re)criadas pelo EI. Para isso, observamos
materiais visuais produzidos nos sites e redes sociais, vídeos institucionais,
dentre outras ações.
O EI-NE
utilizou de maneira recorrente dois slogans em 2014: #ONordesteMerece e
#NordesteLivre. Já em 2015 passou a difundir a frase "Orgulho do Torcedor Nordestino"[2]. O sentido dessas frases
revela uma ideologia mais profunda, que é melhor compreendida dentro do
contexto da bifiliação clubística no Nordeste, sobre o qual falaremos agora de
maneira introdutória.
É
significativa a quantidade de fãs de futebol no Nordeste que torcem por dois
times; um de seu estado e outro de uma região diferente, especialmente dos
estados de RJ e SP. Esses torcedores são pejorativamente chamados de “mistos”.
Tal alcunha foi criada por outros torcedores, que são contrários à maneira
“mista” de torcer: os “anti-mistos”. CAMPOS & TOLEDO (2011) nos apresentam
o conceito de “bifiliação clubística” para nos referirmos aos torcedores
“mistos”, expressão que usaremos de agora em diante.
Faixa "Vergonha do Nordeste" feita por torcedores do Vitória-BA
em crítica aos flamenguistas baianos
Os
anti-bifiliação produzem diversas falas que criticam a bifiliação clubística.
Segundo eles, o interesse de um nordestino por um clube como o Flamengo, por
exemplo, adviria de uma influência alienadora da mídia brasileira. A presença
constante daquele clube carioca na imprensa nacional influenciaria enormemente
na escolha do torcedor Nordestino, que acabaria por adotar como “seu” um time
que na verdade pertence “aos outros” (VASCONCELOS, 2011). Os anti-bilifiação
também argumentam que as instituições mais importantes do futebol brasileiro,
como a CBF e a mídia (representada pela Rede Globo, detentora dos direitos de
transmissão dos principais campeonatos de futebol no Brasil) atuariam em favor
dos grandes clubes de RJ e SP (chamados de “times do eixo”), em detrimento dos
demais. Esse favorecimento daria aos clubes “do eixo” grande poder político,
midiático e, por consequência, econômico, enquanto os outros times do país,
inclusive os nordestinos, não receberiam uma parcela justa desses benefícios.
Os anti-bifiliação afirmam que os bifiliados, ao torcerem por um time “do
eixo”, estariam favorecendo a manutenção dessa estrutura desigual,
desvalorizando algo que pertence a eles – os clubes nordestinos – em favor de
algo que é “dos outros”. Uma das frases mais comuns e impactante usada pelos
anti-bifiliação, sendo estampadas em camisas e faixas nos estádios, é “Vergonha
do Nordeste”, tendo pelo menos dois sentidos: acusando os bifiliados de terem
vergonha da sua região; e afirmando que eles a envergonham.
Traduzindo
esse discurso para termos sociológicos (BOURDIEU, 2007), os grandes clubes de
RJ e SP seriam os maiores detentores de capital
político, midiático e econômico, ocupando assim a condição de dominantes no campo do futebol brasileiro. Os times do nordeste, por sua vez, por
não possuírem aqueles capitais de maneira tão intensa, ficariam na situação de dominados.
Os
slogans citados há pouco convergem com esses discursos anti-bifiliação, o que
mostra como os canais EI estão atentos às discussões que os torcedores
nordestinos vêm fazendo, inclusive às de viés político.
O site
oficial do EI-NE trazia em 2014 um texto que explicava a expressão
#NordesteLivre:
LIVRE
PARA TORCER
LIVRE
PARA SER NORDESTINO
Imagine
como seria bom se todas as TVs respeitassem o Nordeste. Nossa cultura, nosso
orgulho.
Pelo
menos no esporte, estamos livres.
Não
precisamos mais deixar a TV escolher outro time para torcermos. Temos a
competição mais charmosa do Brasil, com álbum de figurinhas, bola e taça
desenhados pensando na gente.
Já
podemos assistir a mais de 200 jogos dos nossos times em 2014 no canal que foi
feito para nossa região.
Só o
Esporte Interativo Nordeste transmite todos os jogos da Copa do Nordeste e 7
estaduais até 2022. E tem uma equipe de 50 jornalistas na região cobrindo
diariamente todos os times, além de 5 programas pensados para nós, torcedores
mais apaixonados do Brasil.
ESCOLHA
SER LIVRE.
ESCOLHA
O ESPORTE INTERATIVO NORDESTE.
Além
desse texto, o site traz ainda várias outras mensagens curtas sobre o canal,
dentre as quais se destaca a seguinte:
Fim da
ditadura do eixo Rio-SP no futebol
Com o
Esporte Interativo Nordeste no ar, o Nordeste pode dizer que tem um canal para
chamar de SEU. Finalmente, o torcedor nordestino ganhou o direito de assistir
ao seu time na televisão.
O EI-NE
apresenta o futebol nordestino como “preso” dentro do cenário esportivo
nacional, comandado pela “ditadura do eixo Rio-SP”. A grande mídia nacional tem
papel determinante na escolha do time para torcer, agindo em prol do “eixo”. Embora
o cenário seja desfavorável, o futebol nordestino ganhou um aliado, não
surpreendentemente o próprio grupo EI, que se afirma distante da mídia
convencional e próximo dos nordestinos. Não apenas próximo: ela é nordestina,
haja vista o uso de pronomes em primeira pessoa ao se referir à região. O EI, ao
saber valorizar o futebol dali, contribui para o processo de libertação do
Nordeste em relação ao domínio de RJ e SP no campo futebolístico.
A
partir desses elementos compreende-se melhor também o slogan #ONordesteMerece:
merece ser livre, merece ter destaque nacional através de uma emissora que o
valorize. O futebol da região tem qualidade suficiente para ser exibido para
todo o Brasil. Transmitir suas competições não é um “favor”: ele faz por
merecer essa atenção.
Já o
slogan "Orgulho do Torcedor Nordestino" é um referência à expressão “Vergonha do Nordeste”,
trazendo também pelo menos dois significados: o EI se orgulha do nordeste; e o
EI é um orgulho para a região.
É
interessante a maneira como o EI-NE joga com esses imaginários. O grupo não
está afastado completamente do lado dominante
do campo do futebol; ele transmite competições europeias (recentemente adquiriu
com exclusividade na TV por assinatura os direitos de transmissão da UEFA
Champions League – Liga dos Campeões da Europa), dá grande espaço aos times “do
eixo” em seus programas e inclusive anuncia produtos ligados a esses clubes em
transmissões de competições nordestinas, como é o caso do serviço de assinatura
de notícias por SMS sobre Flamengo, Corinthians, etc., ofertado pelo próprio
grupo EI. É de se destacar ainda que a grade de programação do EI-NE é
preenchida com várias competições de diversos esportes que não possuem
representantes da região, como reprises de campeonatos europeus, torneios de
MMA, etc. Por outro lado, quando fala diretamente com o torcedor nordestino, o
EI-NE apresenta-se como seu parceiro na luta contra o lado dominante.
Mas a
vitimização não é o único aspecto do futebol nordestino destacado pelos canais
EI. O trecho citado há pouco também destaca a Copa do Nordeste como “a mais
charmosa do Brasil”, tendo inclusive álbum de figurinhas e bola com nome
próprio. Esses elementos geralmente estão presentes apenas em competições de
grande destaque nacional e internacional. Sua presença no “Nordestão” reforçaria
a importância desse torneio. É válido lembrar, contudo, que o álbum de
figurinhas não foi lançado em 2015.
Outra
característica positiva citada é o torcedor, descrito como sendo “o mais
apaixonado do Brasil”. A figura da torcida é central no mundo do futebol.
Clubes e jogadores sempre a reverenciam, destacando a importância da sua força
motivadora nas arquibancadas, bem como no crescimento do capital econômico dos
clubes através da compra de ingressos, produtos oficiais e adesão a programas
de sócio torcedor.
Durante
a cerimônia de inauguração do EI-NE, o presidente do grupo, Edgar Diniz, também
destacou os torcedores em sua fala: “[O Nordeste] é a região mais apaixonada do
Brasil por futebol e que é relegada a segundo plano pelos canais nacionais de
esporte”.
O
discurso do EI-NE deixa claro que, se por um lado os clubes do Nordeste não
detêm os capitais político e
econômico na mesma medida que clubes “do eixo”, por outro lado levariam
vantagem no capital simbólico
representado pelos torcedores.
Percebe-se
como o EI-NE, ao falar com o torcedor nordestino, ficou atento às discussões
que os torcedores da região já faziam a respeito do seu futebol, inclusive na
dimensão política na luta por espaço dentro do futebol nacional. Uma parcela
desses torcedores já apresentava uma interpretação sobre os motivos do desnível
econômico e midiático entre os clubes do nordeste e os de RJ e SP. Essa leitura
cria um cenário de dominação, no qual as principais instituições ligadas ao
futebol nacional agiriam em favor de clubes daqueles estados, que passaram a
ser identificados negativamente por aqueles torcedores como “o eixo”. O EI-NE
adotou esse discurso e passou a se apresentar como um parceiro que agiria de
maneira oposta à mídia do “eixo”: tendo #OrgulhodoNordeste, dedicaria ao
futebol da região o espaço que #ONordesteMerece, contribuindo para um futuro em
que possamos ver o #NordesteLivre da “ditadura do eixo Rio-SP”. Em
contrapartida, o EI também valorizaria o futebol da região ao destacar seus
aspectos positivos, como a sua charmosa competição regional, possuidora de
elementos (álbum de figurinhas e bola com nome exclusivo) que só os grandes
torneios têm; bem como o capital simbólico das torcidas, um dos mais
valorizados dentro do campo do
futebol.
Podemos
entender esse discurso como uma estratégia de buscar a simpatia de
torcedores/telespectadores, além de tentar posicionar-se de maneira afastada de
uma postura de mídia que gradativamente vem sendo questionada e criticada por
uma parcela de torcedores do Nordeste. É um jogo delicado, no qual o EI-NE
busca um meio termo, sem abdicar da cobertura dos times “do eixo” e de
competições internacionais.
REFERÊNCIAS
BOURDIEU,
Pierre. O poder simbólico. Rio
de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
CAMPOS,
Flávio de. & TOLEDO, Luiz Henrique de. “O Brasil na arquibancada:
notas sobre a sociabilidade torcedora”. Revista
USP n. 99, p, 123-138. 2013.
VASCONCELOS,
Artur Alves de. Identidade
futebolística: os torcedores “mistos” no Nordeste. Dissertação de Mestrado
em Sociologia, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, 2011.
VASCONCELOS,
Artur Alves de & ABREU, Domingos Sávio. #ONordesteMerece
um #NordesteLivre: futebol e identidade regional na TV Esporte Interativo.
Inédito.
________________________-
*Mestre e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
** Doutor em Sociologia pela UFC. Professor Associado da mesma instituição, Departamento de Ciências Sociais.
[1] Chamaremos genericamente os canais
Esporte Interativo de “EI”, especificando, quando necessário, uma das emissoras
do grupo.
[2] Os dois primeiros slogans são estilizados em formatos de hashtags, palavras-chaves usadas em redes sociais, que possuem uma forquilha
como primeiro caractere, seguido de uma ou mais palavras, que não escritas sem
espaçamento entre elas.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Grupo de leitura: próximo encontro
Dia: 23 de fevereiro
Horário: 19
Horário: 19
Local: Sala do GEPE
Vamos discutir o seguinte texto:
FIGUEIRA, Márcia. GOELLNER, Silvana. Skate e mulheres no Brasil: fragmentos de um esporte em construção.
Disponível na xerox do Depto de Ciências Sociais e também online: clique aqui.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Artigo: O futebol como abrigo de diferentes racionalidades capitalistas
O futebol como abrigo de diferentes racionalidades capitalistas
por Radamés de Mesquita Rogério*
Jogador Anderson (dir.) assinou contrato de quatro anos com a equipe gaúcha. Foto: internacional.com.br
Recentemente, o Internacional de Porto Alegre contratou o jogador Anderson de 26 anos que havia passado os últimos 9 anos no futebol europeu vinculado ao poderoso Manchester United da Inglaterra. A contratação gerou certa polêmica devido às origens gremistas do jogador: ele surgiu no futebol profissional no Grêmio também de Porto Alegre, arquirrival do Internacional, notabilizando-se como jogador importante na história do clube devido ao seu protagonismo no famoso jogo “batalha dos aflitos” – partida revestida de intenso teor dramático que culminou com a volta do Grêmio à primeira divisão do campeonato brasileiro em que o time gaúcho venceu o Náutico de Pernambuco na casa do adversário com três jogadores a menos com um gol de Anderson no final do jogo.
Na época, Anderson era uma promessa do futebol brasileiro jogando nas categorias de base da seleção chegando a disputar os jogos olímpicos de 2008 e foi contratado por um dos maiores e mais ricos clubes do mundo, iniciando sua carreira europeia.
Feita a necessária digressão, voltemos ao momento presente: Anderson volta ao Brasil e é contratado pelo Internacional e isso gera polêmica entre torcedores bem como na mídia esportiva. Minha reflexão parte de uma crítica de um comentarista da TV Esporte Interativo sobre o caso: o mesmo afirmava que o jogador poderia assinar contrato com qualquer time, menos com o Internacional, devido ao seu vínculo histórico-afetivo com o Grêmio. O comentarista demonstrou ainda tristeza por esse tipo de acontecimento ter lugar no futebol moderno em que os vínculos não são mais respeitados.
Esse tipo de polêmica no mundo futebolístico nos permite algumas reflexões, destacarei aqui uma: reivindica-se, diga-se, principalmente por parte dessa mesma mídia esportiva, uma profissionalização maior do futebol brasileiro numa evocação direta a necessidade de predominância de uma racionalidade capitalista num cenário em que, evocando Weber, predominem ações baseadas em fins que gerem lucro e mantenham os times em uma situação financeira que lhes possibilitem arcar com seus compromissos financeiros e ter capacidade de investimento. A tradição e o carisma não podem ser referências para a conduta dos dirigentes, o foco deve ser a gestão e não a paixão e isso deve se refletir, por exemplo, na contratação de jogadores e treinadores, de forma que o clube não deve acertar salários com os quais não poderá arcar, mesmo que para isso, tenha-se, por exemplo, que perder um ídolo para o seu maior rival. Esse discurso da racionalidade capitalista da gestão dos clubes brasileiros é fortemente predominante no cenário de nossa mídia esportiva atualmente, com algumas, talvez raras, exceções.
Esse discurso vai à contramão do apelo que pulsa das arquibancadas, pois, via de regra, o torcedor quer a vitória e para isso, gostaria que o seu clube contratasse os melhores jogadores possíveis. É evidente que os torcedores não são totalmente desprovidos da racionalidade capitalista na medida em que compreendem que um time cearense, por exemplo, não tem capital para contratar um jogador de destaque de um dos grandes clubes do futebol brasileiro, assim como o torcedor de um dos grandes clubes do futebol brasileiro sabe que seu time não pode contratar um jogador de destaque dos grandes times europeus e assim por diante. Isso não impede, porém, que o clamor das arquibancadas se sobreponha aos cálculos e planilhas e ecoem exigências de que os dirigentes montem um time que atendam aos seus anseios. Se há mais dinheiro saindo do que entrando e o clube irá pagar caro no médio e longo prazo pelo título conquistado ou pelo rebaixamento evitado, isso pouco importa, a alegria momentânea predomina.
A chave para a compreensão dessa disparidade de raciocínio entre torcedores e mídia é o vínculo estabelecido com o clube: o torcedor vivencia um processo identitário importante em sua relação com o clube de futebol em que estão contidos laços de extrema fidelidade e o entrelaçamento do complexo de relações que envolve, muitas vezes, os vínculos familiares. Torcer o próprio corpo espontaneamente, no sentido literal de torcer, envolve paixão e compromisso com algo que é supraindividual e que permite ao indivíduo uma firme posição no mundo, o que faz desse vínculo algo relevante e que concorre com outros como a identidade religiosa e de trabalho. Como afirmou Damo (2007) esse vínculo é uma espécie de “totemismo moderno” que subjaz um público militante que se constitui enquanto comunidade afetiva movida pelo “drama” de vencer ou ganhar. É estabelecido um sistema classificatório que cria e atualiza projeções e relações, determinando o que o sujeito é ao ser “tricolor” ou “alvinegro”, por exemplo.
Compreende-se que um membro da mídia é um perito que deve estar à salvo dos seus vínculos clubísticos e sua reputação enquanto especialista, depende, muitas vezes, disso, havendo aceitação de algumas exceções. Assim, temos uma disparidade que opõe paixão à racionalidade capitalista.
Há, entretanto, certa dissolução dessa disparidade de olhares, ou de racionalidades, quando a questão é o jogador de futebol e o seu vínculo com o clube. Para o torcedor é difícil lidar com a contratação, por parte do time rival, de um jogador historicamente vinculado ao seu clube, um ídolo. O desconforto sentido pelo torcedor do Grêmio ao ver Anderson vestir a camisa do Internacional explica-se, portanto, pela maneira como ele vivencia e compreende esses vínculos.
Poder-se-ia esperar, entretanto, que o crítico, o especialista, o perito, ou seja, o membro da crônica esportiva fosse capaz de compreender a chegada de um jogador deste para aquele clube como uma transação racional capitalista regida por transações pecuniárias de vulto. O que quero dizer, é que se deve exigir de quem analisa, de quem está na posição de “formador de opinião”, uma posição mais comedida em relação a esse aspecto do “jogo”. Creio que se perde muito facilmente de vista que os jogadores são profissionais que vivem dos contratos que estabelecem, que precisam jogar e que fazem parte de um mundo em que as idolatrias, assim como as oportunidades são extremamente fugidias. Em minha tese, intitulada “No ‘segundo tempo da vida’: o jogador de futebol e a passagem para a pós-carreira” (disponível aqui), analiso o quanto o jogador ocupa um espaço ambíguo no universo futebolístico em relação ao aspecto das obrigações que lhe subjazem (O caso do jovem jogador do Botafogo do Rio de Janeiro, Vitinho é muito interessante também esse respeito – ver página 106 em diante).
Nessa pesquisa, argumento que a chave de compreensão dessa problemática está na complicada relação que está por trás do vínculo do jogador com o clube que coloca no mesmo tabuleiro honra/paixão e dinheiro. A mistura é explosiva tanto quanto é inerente ao futebol, é preciso lidar de maneira sóbria com ela e a torcida, não pela ausência de racionalidade, mas muito mais pelos traços característico de seu vínculo com o clube, tem dificuldades com isso. Porém, o “sistema perito”, para usar um termo do sociólogo Anthony Giddens, que constitui a mídia esportiva, embora, reivindique um discurso de racionalidade quando se fala de gestão do clube, junta-se ao clamor das arquibancadas quando diz respeito às ações dos jogadores de futebol. Por que quando se trata do jogador as perspectivas de racionalidade se esvaecem?
_______
* Professor assistente I da Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará - UECE
(2005), mestre (2009) e doutor (2014) em Sociologia pela Universidade Federal do
Ceará - UFC. Tem experiência na área de Sociologia e Antropologia, com ênfase em Sociologia do esporte, das sociedade contemporâneos, da educação e Antropologia dos processos de fluxos no espaço-tempo. Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Instituições, Cultura e Sociabilidades (NICS) - UESPI e líder do Núcleo de Pesquisas Sociedade de Estudos em Esporte (SEE) - UFC. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9145460193823643
Assinar:
Postagens (Atom)







